Luís Castro: uma saída inevitável

Treinador deixa o Grêmio após uma campanha de lampejos: o título gaúcho e a semifinal da Copa do Brasil, eliminando o maior rival, não foram suficientes para sustentar o trabalho.

9/14/2026

O Grêmio anunciou, no início da tarde do último domingo, 13/09, a saída do técnico Luís Castro. A decisão veio após a derrota por 2x1 para o Vasco da Gama, na Arena.

Luís Castro chegou ao Grêmio em janeiro deste ano com a missão de construir um time, muito baseado na sua passagem pelo Botafogo, em 2023. No time carioca, mesmo em uma passagem curta, havia deixado boa impressão, com algumas ideias claras: intensidade e transição rápida.

No Grêmio, no entanto, essas características nunca apareceram. O time até conseguiu alguns resultados, muito por conta das individualidades, sobretudo, o goleiro e o centroavante - mas em nenhum momento da temporada apresentou repertório tático ou soluções coletivas. Em maio, já era visível que o trabalho havia acabado. A direção decidiu insistir, apostando que a parada para a Copa do Mundo seria fundamental para a melhora do time.

Não aconteceu. A eliminação na Sul-Americana aumentou a pressão e a torcida começou a pedir a saída do treinador. A vitória no Gre-Nal, pelas quartas da Copa do Brasil, trouxe uma sobrevida ao treinador. Mas era, mais uma vez, um lampejo do trabalho. A boa atuação em 70 minutos do clássico, não foi suficiente. Contra o Vasco, o time voltou a oscilar e a derrota acabou sendo definitiva para o fim da era Luis Castro no Grêmio.

A saída do treinador era questão de tempo. O trabalho se manteve por lampejos. O Grêmio foi campeão gaúcho e chegou à semifinal da Copa do Brasil, eliminando o grande rival. Foram conquistas importantes. A questão é que nunca houve uma evolução mínima capaz de sustentar isso.

A torcida já havia decidido. Faltava apenas a direção.

Luis Castro deixa o Grêmio campeão estadual e na semifinal da Copa do Brasil. Mas, ao mesmo tempo, deixa o clube correndo sérios riscos no Campeonato Brasileiro. A saída do treinador, portanto, não representa apenas uma mudança no comando. É o reconhecimento, ainda que tarde, de um departamento de futebol que fracassou ao longo da temporada.

Luís Castro / Grêmio