O retorno de Renato ao Grêmio

Deverá ser confirmado, nas próximas horas, o retorno de Renato ao clube. Será a quinta passagem do treinador na casamata gremista: depois de 2010, 2013, 2016 e 2022.

Arquivo Independente

9/14/2026

Pouco depois da saída de Luís Castro, o Grêmio voltou suas atenções para a contratação de um novo treinador. O nome escolhido foi de Renato Portaluppi, maior ídolo da história do clube. Como jogador, foi protagonista na conquista da Libertadores e do Mundial, em 83. Como treinador, comandou o Grêmio em mais de 500 partidas e conquistou os títulos da Copa do Brasil, Libertadores e Recopa.

Renato volta com dois objetivos bem claros: o primeiro é afastar o Grêmio da briga contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O segundo é tentar aproveitar a semifinal da Copa do Brasil e buscar, pelo menos, uma vaga à Libertadores do próximo ano.

A torcida, em boa parte, comemora o retorno. E com razão: Renato consegue dar respostas em momentos de pressão. Mas também traz consigo a dependência que o Grêmio não consegue se afastar.

Antes, o clube manifestava uma ideia de modernização, profissionalização e construção de um departamento de futebol com mais autonomia. Na prática, não é isso que acontece. Basta um fracasso para o Grêmio voltar ao mesmo lugar. Luís Castro foi escolhido justamente dentro dessa tentativa de mudança. A aposta não funcionou. E a primeira alternativa encontrada foi buscar novamente um ídolo.

Renato talvez seja a melhor solução para o momento. Pode reorganizar o time, recuperar a confiança dos jogadores e até salvar uma temporada que se encaminhava para o pior. Mas também reforça uma dependência perigosa. Um clube do tamanho do Grêmio precisa ter estrutura e, especialmente, comando dos dirigentes para sobreviver à saída de qualquer treinador. Inclusive do seu maior ídolo.

Muito possivelmente o time dará uma resposta positiva e não deve ter problemas no Brasileiro. E o treinador, com justiça, terá mais uma vez seu nome associado à capacidade de "salvar" o clube. Mas não podemos confundir isso com planejamento.

Renato Portaluppi / Grêmio